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	<title>tratamentos Archives - My Oftalmologia</title>
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		<title>Maximizar os benefícios do tratamento para os doentes com doenças vasculares da retina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ESP Luís Figueiredo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Sep 2021 10:29:46 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[doenças vasculares da retina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 11 de setembro, incluído no congresso EURETINA 2021, decorreu um simpósio moderado pelo Dr. John Kitchens (Retina Associates of Kentucky, EUA) e patrocinado pela Bayer, dedicado ao tema da maximização dos benefícios do tratamento nas doenças vasculares da retina. O meu percurso com edema macular diabético (EMD): a perspetiva do doente A sessão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 11 de setembro, incluído no congresso EURETINA 2021, decorreu um simpósio moderado pelo Dr. John Kitchens (<em>Retina Associates of Kentucky</em>, EUA) e patrocinado pela Bayer, dedicado ao tema da maximização dos benefícios do tratamento nas doenças vasculares da retina.</p>
<p><span id="more-212335"></span></p>
<p><strong>O meu percurso com edema macular diabético (EMD): a perspetiva do doente</strong></p>
<p>A sessão foi iniciada com o depoimento de um doente com EMD, Lloyd Alli, que descreveu que inicialmente notou que a sua visão se estava a deteriorar por ter dificuldades em conduzir de noite e na leitura de documentos no trabalho. Consultou então um optometrista, que o encaminhou para um especialista, onde foi diagnosticado com EMD.</p>
<p>Quanto ao impacto da doença no seu dia-a-dia, o doente mencionou que esta lhe dificultava o seu trabalho (carpinteiro) e o impossibilitava de conduzir. Referiu também, relativamente ao tratamento, que de início sabia pouco sobre as injeções e tinha algum receio, mas o seu médico explicou-lhe todo o processo e tranquilizou-o.</p>
<p>Lloyd Alli afirmou que demorou algum tempo a notar melhoras na visão, cerca de 6 a 10 semanas, mas depois foi gradualmente melhorando. Salientou ainda que durante o tratamento teve apoio familiar e que os profissionais da clínica foram também importantes no seu apoio.</p>
<p>Questionado sobre se gostaria de ter feito alguma coisa diferente, disse que a lição aprendida foi que deveria controlar a sua dieta e tomar melhor conta de si próprio em geral.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Maximizar os resultados de visão no EMD: a acuidade visual inicial é apenas uma peça do puzzle?</strong></p>
<p>A primeira palestra ficou a cabo do <strong>Dr. Varun Chaudhary</strong> (<em>McMaster University</em>, Canadá), que falou sobre que fatores são necessários considerar quando se avalia o risco de perda de visão em doentes com EMD. Apresentou para este efeito um caso clínico de uma doente com boa visão (≥69 letras) inicial, com as seguintes características:</p>
<p style="padding-left: 30px;">• Mulher de 52 anos;<br />• Acuidade visual (AV): 20/32 OD, 20/25 OS;<br />• Diabetes tipo 2 há 6 anos;<br />• Identificada através de um programa de telemonitorização da retina para doentes em risco;<br />• Sem exames oftalmológicos há mais de 10 anos;<br />• HbA1c = 9,8 %;<br />• Hipertensão arterial mal controlada;<br />• Hiperlipidemia;</p>
<p>Os objetivos delineados na primeira consulta foram resolução do edema macular e dos focos hiperrefletivos, preservação da membrana limitante externa e da junção elipsoide, resolução do fluido subretiniano (FSR) e do material hiperrefletivo intra-quístico e manutenção, e, se possível, melhoria da visão. Após o primeiro tratamento com aflibercept, a doente teve uma melhoria de visão para 20/30, e no 3º mês, após três tratamentos com aflibercept, tinha uma AV de 20/25, altura em que a doente se revelou satisfeita com o tratamento e perguntou se poderia parar. O Dr. Varun Chaudhary teve nessa ocasião uma longa conversa com a doente, explicando a importância de continuar o tratamento. A doente concordou em continuar fazendo a 4ª injeção de aflibercept no mês 4, com uma AV de 20/25, e a 5ª injeção no mês 5, com uma AV de 20/20. No mês 6 a doente manteve a visão de 20/20, sem tratamento. Depois disso, a doente deixou de comparecer, retomando ao mês 12 com perda de visão (AV: 20/40). Teve então mais três tratamentos, atingindo uma AV de 20/25 no mês 15.</p>
<p>O especialista reforçou aqui a importância de os doentes com EMD receberem uma dose de carga apropriada no início do tratamento, tal como demonstrado nos ensaios VIVID e VISTA (Korobelnik JF <em>et al.</em>, Ophthalmology 2014), nos quais os doentes receberam cinco doses de carga mensais de aflibercept, tendo atingido ganhos significativos de visão (&gt;2 linhas) às 52 semanas. Estes ganhos foram mantidos em aproximadamente 70 letras ETDRS durante o ensaio ENDURANCE (Wycoff CC <em>et al.</em>, Am J Ophthalmol 2017; Wycoff CC <em>et al.</em>, Br J Ophthalmol 2018), apesar de uma redução do número de tratamentos. O Protocolo T do DRCR.net também mostrou resultados semelhantes (Wells JA <em>et al.</em>, Ophthalmology 2016), independentemente da visão inicial dos doentes.</p>
<p>Quanto à correlação entre os resultados anatómicos e a função visual no tratamento do EMD, o oftalmologista apresentou dados de uma análise <em>post hoc</em> dos ensaios VIVID e VISTA (Midena E <em>et al.</em>, J Ophthalmol, 2018) que mostrou que, independentemente da espessura da retina no início do estudo (&lt;400µm ou ≥400µm), os doentes respondem igualmente bem ao tratamento com aflibercept, enquanto que uma análise <em>post hoc</em> do Protocolo T (Bressler NM <em>et al.</em>, JAMA Ophthalmol 2019) demonstrou que alterações na espessura central da retina apenas são responsáveis por uma pequena proporção da variação total da AV.</p>
<p>Em resumo, o Dr. Varun Chaudhary afirmou que “vários fatores contribuem para o ganho de visão no EMD, e é importante maximizá-los a todos para garantir a qualidade de vida dos nossos doentes”, salientando o tratamento precoce e intensivo com aflibercept.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Aflibercept no mundo real: qual é a situação geral?</strong></p>
<p>O <strong>Prof. Doutor Andrew Chang</strong>, do <em>Sydney Eye Hospital</em>, Austrália, falou sobre o uso de aflibercept no mundo real. Começou por afirmar que “os ensaios clínicos aleatorizados (RCTs) demonstraram que tratamento com aflibercept pode levar a ganhos de visão clinicamente significantes a longo prazo em doentes com EMD, independentemente da visão inicial”, mas salientou os desafios encontrados na clínica, nomeadamente a manutenção da adesão por parte dos doentes, as complicações da diabetes e a variação entre regimes de tratamento. Assim, perguntou: “dados estes desafios, os achados dos RCTs refletem-se na prática clínica no mundo real?”.</p>
<p>Falou então no estudo de vida real APOLLON (Korobelnik JF <em>et al.</em>, Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol 2020), que avaliou os resultados de doentes com EMD a receberem aflibercept na prática clínica de rotina em França, e no qual os doentes que não tinha recebido tratamento prévio atingiram ganhos de visão clinicamente significativos (+7,8 letras ETDRS) até ao mês 12, independentemente da visão inicial. Estes doentes receberam uma média de 7,6 injeções no primeiro ano, e destes os que receberam as cinco doses de carga mensais conseguiram obter hanhos de +8,4 letras ETDRS. De seguida, apresentou um estudo retrospetivo da base FRB! (Bhandari S <em>et al.</em>, Ophthalmology 2020), que comparou a efetividade de aflibercept <em>vs.</em> ranibizumab em doentes com EMD <em>naïve</em> para tratamento e demonstrou que os doentes com uma AV &lt;69 letras no início do estudo atingiram maiores ganhos de AV com aflibercept ao fim de um ano. O terceiro estudo de vida real apresentado foi do centro de Moorfields (Lukic M <em>et al.</em>, Eur J Ophthalmol 2021), que avaliou a efetividade da aflibercept em olhos com EMD <em>naïve</em> para tratamento, tendo revelado que os doentes tiveram ganhos significativos de visão (+6,9 letras ETDRS) até três anos, independentemente da visão inicial.</p>
<p>Falando de seguida sobre o desafio da adesão à terapêutica, o especialista mencionou um estudo australiano de vida real (Spooner KL <em>et al.</em>, Diabetes Metab Syndr Obes 2019) que, através de um questionário, avaliou a carga humana das injeções intravítreas no tratamento do EMD, que se revelou ser substancial. O Prof. Doutor Andrew Chang afirmou assim que “regimes de tratamento com menor frequência de injeção podem ajudar a reduzir a carga de tratamento tanto para as clínicas como para os doentes. Isso melhoraria a adesão dos doentes, o que realça a importância dos tratamentos <em>treat and extend</em> (T&amp;E), que estão a ser investigados em RCTs”.</p>
<p>Por fim, o oftalmologista falou sobre programas de apoio ao doente, que têm mostrado um aumento significativo da persistência no tratamento em doentes com degenerescência macular relacionada com a idade neovascular, como por exemplo o programa SmartSight na Austrália (Chang A <em>et al.</em>, Patient Prefer Adherence 2021), que atua através de educação do doente, modificação do comportamento, telefonemas de seguimento e apoio aos cuidadores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Perceber o alvo: o que pretendemos?</strong></p>
<p>Na última palestra, o <strong>Prof. Doutor Thomas Langmann</strong> (Universidade de Colónia, Alemanha) dedicou-se a explicar os fundamentos científicos que suportam os tratamentos anti-VEGF. Começou por explicar que no EMD o excesso de ativação dos recetores VEGFR-1 e VEGFR-2 levam ao desenvolvimento de inflamação, vazamento vascular da retina e edema e neovascularização. Mostrou também que o VEGFR1 é expresso em múltiplos tipos celulares na retina e na coroide, sendo que a expressão deste recetor e dos seus ligandos (VEGF-A, VEGF-B e PlGF) é afetada pela concentração de oxigénio e pela inflamação.</p>
<p>Olhando depois para a estrutura de aflibercept, o especialista explicou que este incorpora domínios dos dois recetores de VEGF (VEGFR1 e VEGFR2), para uma forte ligação tanto ao VEGF como ao PlGF, prevenindo assim que estes fatores se liguem aos seus recetores naturais. Analisou ainda os vários fatores moleculares que influenciam como o fármaco interage com o organismo:</p>
<p style="padding-left: 30px;">• Afinidade de ligação: aflibercept tem uma maior afinidade de ligação para o VEGF comparativamente com outros agentes anti-VEGF;<br />• Semivida: aflibercept tem uma semivida de 9,1-11 dias, relativamente longa comparada com a de outros agentes anti-VEGF devido ao seu tamanho molecular;<br />• Alvos de ligação: aflibercept liga-se ao VEGF-A, VEGF-B e PlGF, ao contrário de ranibizumab e bevacizumab, que apenas se ligam ao VEGF-A, e ao faricimab, que se liga ao VEGF-A e à Ang-2;</p>
<p>O palestrante concluiu assim que “aflibercept é o único agente anti-VEGF disponível que bloqueia todos os ligandos do VEGFR-1 e o principal ligando do VEGFR-2”.</p>
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